segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O QUE ESTAMOS A FAZER COM NOSSA ESTERILIDADE?


Texto de Inajá Martins de Almeida
sob os capítulos  Gênesis 12 em diante 


Chove. Há dias o tempo se sustenta em água. 2017 respiram seus últimos suspiros. Envelheceram seus 365 dias. Entregam-nos outros mais. Multiplicam-se anos. Somam-se alegrias, dores e tristezas. Vemos pessoas cansadas. Vemos pessoas desorientadas. Vemos... Entretanto, não conseguimos perceber a presença de anjos que nos falam, apontam-nos promessas. Apenas olhamos para o alto e observamos estrelas... Com elas sonhamos. Queremos alcançá-las, não nos atemos ao anjo e rimos. Observamos apenas nossa condição infértil, desacreditados continuamos olhar estrelas no céu e o anjo a partir, sem nos darmos a devida nota. 

Cibernéticos nos tornamos. Sentimos orgulho de pertencermos a Era Digital. Era Global. Pobres e nus... As vestes não nos cobrem a solidão, a insegurança, a incerteza, a ansiedade e tudo mais.  

Envolta a situações adversas, vales de ossos secos, a  Palavra me leva a personagens singulares – Abrão e Sara. E penso. E reflito o que está escrito e esboço meu pensar. 

Viajo no tempo, mas também posso encontrar saras e abrãos em nossa jornada. Personagens que me direcionam as linhas. A eles me valho. A elas me lanço ávida. 

Confesso não ser este o melhor dia de minha jornada. Já os tive muitos melhores, também piores, entretanto a reflexão me faz parar a buscar a Sarai e o Abrão que se encontram em mim: - não, contudo, os personagens que a Escritura nos traz, mas aqueles que aos poucos foram buscando morada: descrença, mentiras, contendas, incredulidade, passividade, lascividade, pecados. Mais pudera acrescentar. Cada qual tem suas sarais, seus abrãos.

Épocas outras. Irmãos por parte de pai. Consortes a buscar gerar família. Todavia o futuro reservaria infertilidade a Sarai, mesmo Abrão sob promessa de se tornar grande nação – Sarai permanecia estéril e avançavam em dias.

Abrão contentava-se com o sobrinho Ló, a quem dispensava bens, partilhas e cuidados, enfrentando exército feroz de homens maus. Sarai observava calada em sua tenda. Tio e sobrinho cresciam em bens físicos, mas não em bens espirituais – contendiam, não podiam ocupar mesmo espaço e se separavam.  

Abrem-se as esterilidades espirituais. Enquanto Sarai, em sua tenda, observava a escrava Agar em seus afazeres, Abrão observava as estrelas do firmamento, Ló constituía família em terra de pecado.        

E nós em tempos modernos? Onde nossa esterilidade?

Anjos aparecem a Abrão – eram três. Anunciam-lhe a chegada da promessa – a constituição de uma grande nação. Deus já havia pedido à Abrão que olhasse o céu e contasse as estrelas. Esquecera? Apagara de sua mente a lembrança?

Poderia ser possível que naquele homem, que nos chegou a dias atuais como o pai da fé houvera incredulidade? Sarai cuja madre lhe seria aberta à passagem de numerosa nação o mesmo aconteceria?  

Então? Abrão ri ante a impossibilidade – Sarai avançava em idade. A ele, também impossível, mas quem lhe mandava recado, quem lhe falava não eram as circunstâncias naturais era o sobrenatural que a tudo pode.

Sarai também ri – desacreditada dela e do sonhador Abrão. O marido que vinha colocando feridas em sua jornada, tantas que se podiam contar:

- saída do seu lugar de segurança, para peregrinar em terras estranhas;
- envolvimento com pessoas de conduta dúbia, a pensar no sobrinho;
- encontros com reis de outras nações;
- mentiras a que fora submetida a compactuar, por duas vezes, muito embora      meia mentira, mas as conseqüências drásticas demais,

mais ainda,

- entrega de Agar, a que Abrão não conjecturou e Ismael nasceu, nascendo         assim, sob promessa de Deus a nação que se perde de vista.  Nação que em     futuro entraria em confronto com o irmão que nasceria. Nações que contenderiam e se dividiriam.

Penso nas Sarais que todos os dias, em todo o planeta são ultrajadas, lançadas a sorte, ao escárnio, ao pecado, ao repúdio e mais drástico ainda, a morte.

O tempo não fora acatado. A que ponto chega à descrença, à incredulidade, à infertilidade. Mesmo anjos se apresentando, Deus falando, o discernimento cega e ensurdece, a espera cansa e por si toma atitude; a crença de que o cumprimento da promessa se fará em dia, hora e local prometido desaparece. 

Ismael já é fato concreto e cresce, abrindo mais chagas no viver de Sarai.

Agora, mudam-se os nomes - Sara e Abraão – marido e mulher – perante Deus a constituição da grande nação – mas a roupagem ao que parece continua a mesma. Isaque nasce, cresce o menino, quando o mais grave, o momento crucial lhes advém. Agora não mais ao casal, mas a Abraão. É Deus a pedir a restituição do filho da promessa e sai o patriarca. Madrugada adentra, pai e filho seguem.

Onde Sara. A Palavra não nos expõe o fato. Pensamos apenas o que é um filho para uma mãe. Por que Deus a pedir o sacrifício dessa natureza ao pai? A mãe não entregaria? Não disporia o filho da promessa? Quem sabe?!  Ana soube entender tempo depois e Samuel desmamado seguiu para a casa do profeta Eli.

Aqui apenas fica a sensação das feridas abertas em Sara. E vemos Isaque retornar, não mais para o convívio com sua mãe, mas para terras estranhas. O que teria acontecido. Será que não acontece hoje também?

O que se conta é que Sara morre aos 127 anos no local de sua segurança. No local que lhe inspirava, posso imaginar a presença de Deus em seu viver. 

Sua tenda, decorridos anos, se manteria intacta até a chegada de Isaque e Rebeca, entretanto, Abraão prantearia sua morte, ainda que nova família lhe trouxera a união com Quetura.

Por que temos de chegar a esse ponto. Por que não almejar que a alegria chegue com a manhã como o fizera o apóstolo Paulo e nos entrega linda mensagem?

Ainda assim, Deus nos dá a promessa de que podemos ser novas criaturas. Deixarmos a velha para traz, seguir caminho certo quando nos entrega seu próprio filho para que possamos ter vida – vida em abundância.

Sob esses apontamentos, pude encontrar a pregação do Pastor Benhour Lopes da qual percebi que há homens que se preocupam com as feridas de Saras em nosso tempo.

Ótimo início de ano – 2018.


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Acompanhe a pregação

       
 https://www.youtube.com/watch?v=MTZX_x2D8wU

sábado, 30 de dezembro de 2017

COMO ESTÁ NOSSA ZICLAGUE?



por Inajá Martins de Almeida

Final de ano. Outro se aproxima - 2018.  Percebe-se no ar a grande batalha a se travar por todos os lados. Contendas inimagináveis. Seriam os tempos que se pronunciam? Tempos difíceis? 

Retomo a leitura inúmeras vezes. Livro em mãos - "O que fazer no pior dia de sua vida" - Brian Zahnd tem algo a nos dizer, especialmente a mim. 

É quando um jovem anônimo, a ocupar a platéia, desconhecido, solitário a pastorear ovelhas que, em pouco tempo, vê a perspectiva de se tornar visível ante muitos – ser o maior dentro de sua casa, onde sua pouca idade, seu porte franzino o tornava o menor dentre todos. É esse jovem que adentra o meu pensar. É esse jovem que me inspira as linhas e as busco.

Longe dos nossos dias, o tempo, que o pode predizer, nos dá a impressão de infinito. Horas contadas e multiplicadas aos nossos anseios de afazeres. Hoje as tais não nos bastam.

Então?

O que teria mudado enfim?

Bom agora o jovem se apresenta quando o profeta o busca.

- É você Davi, filho de Jessé, ademais, pastor de ovelhas?

- Sim! Sou eu. Eis-me aqui – elevo meu pensamento à apresentação.

Como nos apresentamos. Como somos vistos por Aquele, que almeja algo mais de nós, de nossas horas que se podem contar – nem sempre frutíferas.

Era  o menino - adolescente nos seus dezesseis anos - que aos poucos assumiria atitudes adulta, corajosa, às responsabilidades que lhe seriam imputadas – o comando ante a nação que logo adviria a sua vida pacata.

Era pois, o menino ungido rei que em breve travaria luta com o temível gigante  - que a muitos derrubara. 

Era o menino franzino, que logo estaria enredado com sentimentos torpes de ciúme, inveja, perseguição, fuga, a procurar refúgio em lugar seguro, junto a desconhecidos em semelhante situação. 

Era o menino a levantar fracos, párias anônimos e os tornar valentes dentre guerreiros  a constituir a nação que ultrapassava horizontes.

Era, pois o menino que aos poucos se transformava homem e encontrava sua Ziclague, pequena cidade perdida, desconhecida nalgum lugar do deserto que se constituía reduto de fortes e valentes.

Era o menino, transformado homem, que nos apresentaria Ziclague. 

Ziclague, em seu significado, pequena cidade, mas também local de reflexão, refúgio, silêncio, introspecção. 

Ziclague! Quando buscá-la? Em que momento vamos adentrar seu espaço e transformar nossos fantasmas, nossas experiências desagradáveis – mágoas, desgostos, palavras inoportunas – em gosto pela vida que se apresenta aberta aos nossos melhores anseios?

Ziclague que não nos priva o choro, a amargura do desamparo, da perseguição, do ultrajo no íntimo.

Ziclague que também dá forças e o entendimento de que o mesmo Deus que dá a prova, fornece condições para a sua resolução.

Ziclague que alarga o campo da visão, recupera a paixão se lança ao ataque para recuperar a paz, momentaneamente perdida.

Ziclague que celebra a restituição da perda temporária – da paz, dos afetos, dos bens físicos e materiais.

Ziclague que ao recuperar perdas passadas, leva à partilha futura.

Parei e pensei: - 

Como está minha Ziclague?

Como irei me comportar nestes 365 que se me apresentam 2018?

O menino que fora, homem se transformara, rei exercera seu reinado de forma humana e humanitária, decorridos milênios, ainda é presente a nos presentear com a palavra de consolo ante, quem sabe - O PIOR DIA DE NOSSA VIDA!


                           Por que estás abatida, ó minha alma,
E por que te perturbas dentro de mim?
Espera em Deus, pois ainda O louvarei.
              Ele é a salvação da minha face e o meu Deus   


                         Salmo 42.11

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

NÃO SE COLOCA TECIDO NOVO EM ROUPA VELHA

por Inajá Martins de Almeida

É conveniente colocar tecido novo em roupa velha?

Tenho pensado muito nessa parábola de Jesus em minha própria vida.  
“   
            "Ninguém coloca remendo novo em roupa velha; porque o remendo força o tecido da          roupa e o rasgo aumenta”. (Mt 9:16)

Percebo o quanto é difícil consertar um trabalho executado com agulhas, com linhas  ou tecidos, cada qual a seu termo.

Gosto muito de trabalhos manuais, vez ou outra me coloco no exercício, principalmente o crochê; percebo assim, não ser possível tal prática – reformar um trabalho executado. Corta-se a linha, estraga-se a peça, por fim, trabalho perdido – tempo, material e a própria paciência, sem contar, claro, a decepção que advém do fato.   

Entretanto, passo a questionar outras situações – reformas, pequenas ou grandes: – pintar paredes da casa, móveis antigos, aproveitar algum objeto que nos fora de estima, dando-lhe coloração diferenciada.

Assim, idealizamos o que nos seja conveniente e partimos a campo: - aquisição de material, mão-de-obra (nós mesmos, quando possível), tempo, estresse, discussões. No percurso da empreitada, podemos nos satisfazer com algumas aquisições – afinal quanto de nossa vontade física e financeira dispôs nos preparativos para que tal intento pudesse ser concretizado; quem sabe, meses, anos até. 

O dia chega. Esquecemos que é remendo sobre casa velha – casa, paredes, teto, móveis. Sem pensar em nossa predisposição em perceber remendos necessários, até que, os buracos começam dar sinais do tempo – buracos que o presente abre em decorrência do passado  - brechas que não foram convenientemente fechadas, trabalhadas, quem sabe distante, ou aquém do nosso alcance físico, emocional.

Assim, alguns acabamentos são possíveis a resposta satisfatória, entretanto, a outros tantos se faz necessário o descarte – uma tinta não poderia cobrir os danos causados pela ferrugem, ainda que se colocasse produto adequado.   

Quantas vezes queremos adequar nosso caminhar ao nosso gosto e prazer, sabedores de que somos roupas velhas, pelo tempo que já vivemos – trinta, quarenta, cinqüenta, mais, quem sabe.

Percebemos, então, que a Palavra nos alerta que ao homem fora dado um tempo limitado – setenta anos. Porém, a ciência tem demonstrado que há possibilidade de avançarmos em dias, mas não nos alerta como fazer isso. Como não deixar que os remendos nos sobrevenham – cirurgias, doenças, administração de fármacos, consultas médicas periodicamente, sem falar do emocional, estresse, desavenças e mais.

E percebemos também que temos de conviver com distanciamentos, o tempo a nos privar de presenças desejáveis; o próprio trabalho que a nós advém – seria tão necessário assim?

Seriam os tais remendos novos que tentamos colocar em situações velhas e não sabemos chuleá-los, costurá-los e até arrematá-los?

Teríamos, pois que nascer de novo. 

Teríamos, pois de buscarmos viver em novidade de vida. 

Teríamos de buscar vestes novas e lançarmos em definitivo as vestes velhas. 

Sabedor de que somos caminhantes em nossa jornada, com nossas vestes rotas, nosso tempo passado, nossas vidas e experiências, Jesus nos vem provar que é possível mudar as vestes velhas e vestir uma veste nova, sem necessidade de remendos, desde que aberto o coração a velha criatura se abra para a nova.  

Bela reflexão sobre a Palavra. Jesus nossa roupa nova.

domingo, 2 de abril de 2017

PALAVRAS INOPORTUNAS

por Inajá Martins de Almeida



Sim... Quantas vezes palavras inoportunas, vindas em momento errado, sangram nosso coração vulnerável. Percebemos então que as pessoas não querem mais sentir o outro. Distanciam-se até dos que tão próximos lhe foram - mãe, pai, avós, tios, primos - e passamos a nos perguntar: - por quê?

E recorremos às passagens bíblicas e é ela nos diz que ao homem caberá deixar mãe e pai e unir-se a uma mulher e constituir família. 

Não é o que vemos. 

Sim... Filhos crescem e logo querem a independência física dos pais, mas um pesinho sempre permanece na casa paterna - a dependência financeira. 

Morar sozinhos, quantos almejam, quiça, terem um esposo, uma esposa, que lhes possam aliviar noites de solidão. Daí o que poderia ser encontro fortuito, torna-se desalento. 

Famílias desconstruídas, destruídas por todos os cantos anseiam pela construção de uma família, quantas vezes em vão.

O amor entre os homens a se esfriar, também escrito. O que mais conseguimos enxergar é a ciência a se multiplicar, mas o homem a sofrer, porque em meio a tanto conhecimento o tal lhe falta. E então?

Deus não muda. Suas mãos estendidas criaram todas as coisas. E quantos a se distanciar do criador em busca de ilusões. 

- Cuidado para que ninguém vos engane. Alerta!

Estamos cegos, de umas cegueira que não nos permite enxergar que estamos cegos...

Andamos ansiosos a correr de lá para cá numa época em que as facilidades são criadas para trazer facilidade. Mal temos tempo de olhar os lírios do campo, os pássaros que gorjeiam... Insensatos... Pobres miseráveis e nus que somos... 

Máquinas podem substituir trabalhos braçais. Computadores podem agilizar trabalho mental. Meios de locomoção podem nos trasladar rapidamente a lugares desejados e requeridos, contudo abreviamos o tempo ao correr para a morte em trágicos acidentes. Em contrapartida a ciência prolonga a vida para outros tantos.

- Marta... Marta... por que andais ansiosa? 

E contudo em meio a tanto questionar, podemos ir ao encontro daquele que nos segura pela mão, que nos exorta:

- Vinde a mim os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. 

Jesus. Nome que está acima de qualquer nome. Que nos mostra o Pai. 

Jesus. Que tira o morto de sua tumba, desata-lhe as amarras e o faz andar. Que dá vista ao cego. Resgata o cativo do cativeiro e o torna missionário dentro de sua própria casa. 

Jesus. Que ao paralítico lhe devolve o ânimo para sair de sua prostração, ainda que consigo leve a maca que lhe fizera deitar-se em um tanque de Betesda por longos e intermináveis anos, sem que mão alguma lhe fizera descer às águas do entendimento. 

Jesus. Que trabalha incansável independente de ser sábado e sagrado aos ditames de uma tábua que estava por ser quebrada. Um véu que estava por ser rasgado. Uma aliança trocada.

Jesus. Que multiplica vinho, pães e peixes. Resgata a dignidade das mulheres. Deixa-as espargir óleo a seus pés, escutarem suas palavras: 

Jesus que conclama às Marias ficarem com as melhores partes. 

Jesus. Que concede que migalhas de pão, caídas da mesa possam alimentar mulher faminta e os seus. 

Jesus. Que cura à distância, ao toque suave de sua voz:

- Vá. Tua filha está curada. 

Jesus. Que veio para os seus e estes não o puderam entender. 

Jesus. Tudo que tudo isso fez e muito mais faria, para ser levado à cruz, escarnecido e humilhado - rei dos judeus. 

Jesus. Ainda que cravejado de pregos e espinhos, sangue a derramar suplica pela misericórdia do Pai em sussurros abafados:

_  Pai! Perdoa-lhes. Não lhes impute mal algum, pois eles não sabem o que fazem. 

Sim! Realmente não sabemos o que estamos a fazer.

Creditamos uma imagem de barro, a qual podemos pintar da forma a mais esmerada e possível tal bonecos de madeira os quais podemos falar:

- Fala e anda... Mas que não andam, não falam, tampouco vertem lágrimas. 

O que pensar. A nós fora proibido erigir imagens, quanto mais nos prostrarmos ante as tais. O que fazemos então? Tal Adão e Eva que da árvore se apossaram, desobedecendo ordens, estamos nós a cometer o mesmo engano. Desobedecemos e ainda usamos de subterfúgios: - é apenas uma representação. 

Adentramos templos. Guardamos sábados, domingos, dias santificados. O tempo exíguo nos priva das visitas breves aos pais.

Transformamos Maria - mãe de Jesus - em nossa própria veneração e a seus pés, frios de mármore nos deixamos ficar por tempo infindo. Esquecemos que nossa mãe de carne e osso anseia uma ligação telefônica, ainda que fragmentada. Um enlaçar de corpos, um sorriso terno. 

Aquela mãe que deu seu corpo, embalou o filho, riu seus risos, chorou suas lágrimas, acompanhou seus passos ao entregar-lhe à esposa amada.

Maria. Todas somos Marias. Nas ruas, nos asilos, nos hospitais, sobre a lápide fria. Marias de carne, osso e sentimento, que desejam serem vistas, mas é a imagem virtual que se torna real. 

Maria que ao anjo não questionou - apenas obedeceu. 

Maria que no templo encontrou o filho adolescente a conversar com seus maiores: onde mais poderia encontrar aquele que estava a cuidar das coisas do Pai. 

Maria que também fora renegada pelo próprio filho ao não lhe abrir a porta quando reunido aos seus. 

Maria que de longe, agora, acompanha o calvário do filho. Aos pés da cruz se prostra. Na tumba o cobre com panos brancos e o unge com óleos e nardos. Tantas vezes o fizera no leito, corpo quentinho ao seu abraço terno, a embalar-lhe o sono.

Interrogação que ao tempo oportuno trará resposta. Agora somente palavras inoportunas conclamam estas linhas. 



        

domingo, 9 de outubro de 2016

APAIXONE-SE POR UM GRANDE HOMEM - Arnaldo Jabor


O texto me veio em momento oportuno realmente. 
A sociedade está em busca de corpos esculturais - homens e mulheres se produzem (cabelo, rostos sem rugas, corpos exuberantes, jovens eternamente...): esquecem o essencial - a alma, o coração. Dele o coração procedem todas as coisas. É dele que devemos cuidar...

Um homem de grande influência no passado dizia e registrou em livro que de mil mulheres não conseguiu encontrar uma sequer... Nem a mãe escapou dessa retórica... Mulher virtuosa, afinal, onde poderemos encontrá-la?

Eu posso fazer menção a várias: minha mãe, avó, tias, primas, professoras, amigas (algumas), sem contar, é claro, mulheres que se tornaram referência ao longo dos milênios, séculos e décadas - cada qual a seu modo de vida...

Passado o tempo percebi qual o perfil de um grande homem. Não posso dizer tê-los encontrado em número tais como as mulheres que pude compartilhar vida, experiência e escola - sim todas as referências me deixaram legado inestimável - mas posso compartilhar e compactuar alguns. Em primeiro lugar meu pai - grande homem. Talvez tardiamente pudera augurar-lhe esse atributo.

A mim deixou o legado da pessoa forte de caráter e personalidade.  Amante dos livros e da palavra. Um homem sempre presente, atuante na vida familiar e pública. Um grande homem com seus grandes feitos - a contar em trinta e três obras escritas e registradas ao longo de décadas. A parte artigos em jornais e revistas, a se perderem no tempo.

Meu pai um grande homem. Vejo agora em seu neto David, o filho que Deus me concedeu, a personificação do homem avô, no homem neto.

Vou parar por aqui... Um grande artigo me fora alvo de inspiração e reflexão. Não sei exatamente se o articulista é um grande homem - as palavras podem nos trair - mas a mim me trouxe subsídios para algumas conjecturas em minha mente e expressão, nesta tarde de domingo ...

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APAIXONE-SE POR UM GRANDE HOMEM

Por Arnaldo Jabor

Nós homens nos caracterizamos por ser o sexo forte, embora muitas vezes caiamos por debilidade. Um dia, minha irmã chorava em sua casa… Com muita saudade, observei que meu pai chegou perto dela e perguntou o motivo de sua tristeza. Escutei-os conversando por horas, mas houve uma frase tão especial que meu pai disse naquela tarde, que até o dia de hoje ainda me recordo a cada manhã e que me enche de força. Meu pai acariciou o rosto dela e disse:

“Minha filha, apaixone-se por Um Grande Homem e nunca mais voltará a chorar”.


Perguntei-me tantas vezes, qual era a fórmula exata para chegar a ser esse grande homem e não deixar-me vencer pelas coisas pequenas… Com o passar dos anos, descobri que se tão somente todos nós homens lutássemos por ser grandes de espírito, grandes de alma e grandes de coração, O mundo seria completamente diferente!

Aprendi que um Grande Homem não é aquele que compra tudo o que deseja, porque muitos de nós compramos com presentes a afeição e o respeito daqueles que nos cercam.
Meu pai lhe dizia:
“Não se apaixone por um homem que só fale de si mesmo, de seus problemas, sem preocupar-se com você… Enamore-se de um homem que se interesse por você, que conheça suas forças, suas ilusões, suas tristezas e que a ajude a superá-las.”
Não creia nas palavras de um homem quando seus atos dizem o oposto. Afaste de sua vida um homem que não constrói com você um mundo melhor. Ele jamais sairá do seu lado, pois você é a sua fonte de energia… Foge de um homem enfermo espiritual e emocionalmente, é como um câncer matará tudo o que há em você (emocional, mental, física, social e economicamente)
Não dê atenção a um homem que não seja capaz de expressar seus sentimentos, que não queira lhe dar amor.
Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua beleza interior e exterior e suas qualidades morais.
Não deixe entrar em sua vida um homem a quem tenha que adivinhar o que quer, porque não é capaz de se expressar abertamente.
Não se enamore de um homem que ao conhecê-lo, sua vida tenha se transformado em um problema a resolver e não em algo para desfrutar.
Não se apaixone por um homem que demonstre frieza, insensibilidade, falta de atenção com você, corra léguas dele.
Não creia em um homem que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a, quando o problema não está em você, e sim nele, porque não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades. 
Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia, ou se já não é mais útil? 
Por que querer um homem que a trocará por um cabelo ou uma cor de pele diferente, ou por uns olhos claros, ou por um corpo mais esbelto? 
Por que querer um homem que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira beleza… a do coração? 
Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, deixando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade e integridade e dando mais importância a quem não valorizava meu esforço? 
Custou-me muito compreender que GRANDE HOMEM não é aquele que chega no topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, nem muito menos o mais bonito. 
Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia atrás de cortinas de fumaça, é o que abre seu CORAÇÃO sem rejeitar a realidade, é quem admira uma mulher por seus alicerces morais e grandeza interior.
Um grande homem é o que cai e tem suficiente força para levantar-se e seguir lutando… 
Hoje minha irmã está casada e feliz, e esse Grande Homem com quem se casou, não era nem o mais popular, nem o mais solicitado pelas mulheres, nem o mais rico ou o mais bonito. 
Esse Grande Homem é simplesmente aquele que nunca a fez chorar… É QUEM NO LUGAR DE LÁGRIMAS LHE ROUBOU SORRISOS… Sorrisos por tudo que viveram e conquistaram juntos, pelos triunfos alcançados, por suas lindas recordações e por aquelas tristes lembranças que souberam superar, por cada alegria que repartem e pelos 3 filhos que preenchem suas vidas. 
Esse Grande Homem ama tanto a minha irmã que daria o que fosse por ela sem pedir nada em troca… 
Esse Grande Homem a quer pelo que ela é, por seu coração e pelo que são quando estão juntos. 
Aprendamos a ser um desses Grandes Homens, para vivenciar os anos junto de uma Grande Mulher e NADA NEM NINGUÉM NOS PODERÁ VENCER!
Por Arnaldo Jabor
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

PERDEMOS JESUS NO TEMPLO?


O que fazemos com nossos sonhos? Por que os perdemos se tanto investimos neles?

Não nos damos conta, mas eles nos dão sinais: Troca de mensagens. Imagens lindas. Juras de amor - eternas. 

É o passado se interpondo ao presente:

- “Se não der certo volte que meus braços te esperam...”.

Seria reminiscência do filho pródigo? 

Interrogação que paira. Interrogação que fica. Interrogação que jamais se apaga. Interrogação retorna com força total.

  • “Que ninguém se engane a si mesmo”. (1 Co 3:18)


- “Eu torço muito por você. Para que tudo de certo”. Outra ocasião o sinal se levanta.

E nos enganamos. E confiamos quando nos alertaram que maldito fosse o homem que no homem confiasse.

Jugo desigual não poupa ao menos o homem segundo o coração de Deus. Por que pouparia na atualidade? A mulher a se banhar... O passeio do rei pelos corredores do palácio. Casais apaixonados. Encontros fortuitos, tais como folhas ao vento são levados.

O clamor se levanta:

  • " Se um inimigo me insultasse, eu poderia suportar; se um adversário se levantasse contra mim, eu poderia me defender; mas logo você, meu colega, meu companheiro, meu amigo chegado? Você com quem eu partilhava agradável comunhão enquanto íamos com a multidão festiva para a casa de Deus?”  (Sl 55:12-14)


É o levante do Édem. A desobediência do casal primeiro. A falta de cuidado, de zelo. 

Afinal: 

  • “fora a mulher que me deste por companheira...” clama em alto brado a criatura ao Criador.


E papéis se tornam invertidos. Aquele que deveria cuidar, quer a si cuidados. Aquele que deveria zelar  negligencia ao zelo. Aquele que deveria nomear a criação aparta-se da incumbência.

Mas os olhos de Deus estão por toda terra. Nada em oculto. Tudo exposto e descoberto. (He 4:13)

  • “Nada há escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz” (Lu 8:17)


A submissão é vista de forma distorcida. Homens não amam suas esposas como Cristo amou a igreja.  Separações rompem laços. Jesus é esquecido no templo, quando não do lado de fora do templo.

Ao amor do início se vira as costas. Olhos e coração apenas almejam a partilha da herança. Bens materiais que não tardam a se consumirem. É o desprezo pelo paraíso.

Que Teus braços Senhor estejam sempre abertos para receber aqueles que sabem que até servos e os porcos são bem alimentados em Tua casa.

Que a Ti não importa a partida, mas a volta.


Quem dera entender tantos pudessem... Quem dera eu pudesse entender que aos poucos nossos pensamentos perdem Jesus no Templo.

A força desta terra é forte... Impulsiona o esquecimento...

Os pais de Jesus o esqueceram no Templo. Viagem de dois dias lembraram-se - onde está o menino ... E voltaram...

Senhor Jesus... Estou voltando também... 

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Inajá Martins de Almeida

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O HOMEM GADARENO


O homem se perdera de si... Não sabia seu nome, a família o rejeitara, a sociedade o abandonara, ele se acostumara a condição de párea morando entre sepulcros num longínquo cemitério, afastado da cidade, de tudo e de todos.

Eis que terrível tempestade assola o barco e seus ocupantes. Jesus dorme tranquilo: nada o perturba. 

Além dali, um homem se lança de lá para cá sem paz vitimado por espíritos imundos. O corpo mutilado por pedras sofre as agressões de satanás. Jesus o sabe. Cuida dos seus, acalma a tempestade e parte para Gadara em busca de um.

Esse um pode ser você, assim como fui eu e o homem de Gadara.  

No primeiro momento, à chegada de Jesus, corre-lhe ao encontro, prostra-se a seus pés e o adora, mas logo em seguida rejeita-o e lhe questiona:

- Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. Marcos 5:7 

Jesus balança as estruturas do inferno. Os demônios o conhecem. O brilho, a luz e o poder de Jesus os atormentam. Acostumados àquele lugar, rogam a Jesus que os deixem ficar.

Como podemos imaginar uma vida sem esperança, sem conhecimento, sem Deus e sem Jesus? As vezes preferimos ficar em nossa zona, ante encarar o desconhecido. Acostumamos às situações e até não queremos ser incomodados, ainda que seja, ou até quem sabe, por Jesus.  

No primeiro momento o homem se lança a Jesus em adoração, mas logo questionado - qual é teu nome? - não sabe quem é. Já não tem mais identidade. Não tem nome. Tudo lhe fora sequestrado, ao ponto de se deixar responder pelos muitos que dirigem sua vida:

Legião é o meu nome, porque somos muitos. Marcos 5:9 

O homem gadareno nem sequer indaga o porquê daquela presença, ao menos solicita que seus grilhões sejam quebrados. Sua autoestima era apenas de destruição. Satanás o transformara num verme que se feria, gritava dia e noite e não se afastava daquela situação deprimente. Esvaídas as forças, prostrava-se ante a condição a que fora submetido.

Será que conhecemos pessoas nessas condições?

Os espíritos imundos entretanto conheciam muito bem quem estava ali e faziam pedidos:
  1. Não nos atormente
  2. Não nos mande para fora deste local
  3. Mande-nos para aquela manada de porcos


Jesus consente todas aquelas reivindicações, mesmo sabendo que logo dali seria expulso. 

E começaram a rogar-lhe que saísse dos seus termosMarcos 5:17

Quantas vezes já encontramos pessoas que não querem ouvir falar em Jesus; a Palavra de Deus lhes causa dano. Pessoas que fecham os ouvidos e o coração ante menção do Nome que é sobre todo Nome - Jesus. Até mesmo pessoas que recebem a graça, mas que, passado um tempo, esquecem, viram as costas e se lançam às práticas anteriores.   

Não aquele homem gadareno que insistia em acompanhar Jesus. Maravilhado aquele que lhe fora ceifado o juízo, assentava-se vestido e em juízo perfeito, além do que suplicava permanecer ao lado do seu Salvador.

Jesus contudo lhe tinha reservado outros planos. A casa, a família: 



Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti. Marcos 5:19


E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilharam. Marcos 5:19,20


Nascia ali um missionário, o qual Jesus lhe atribuíra a missão - levar a Palavra aos seus. 

Jesus o fora encontrar não assentado nos bancos das igrejas, mas no lugar menos provável - num cemitério.

O homem gadareno não detinha títulos acadêmicos. Era simplesmente alguém de quem a família e a sociedade o rejeitara.

Quantos gadarenos pelo caminho! 

Quantos gadarenos a serem encontrados por Jesus... 

As Decápolis se multiplicam aguardando gadarenos. 

Jovens que se encontram cada vez mais desnudos perambulando pelas ruas, alheios a tudo e a todos. Distraídos, sombrios, taciturnos,  às mãos pequenas telas são consultadas, sem ao menos o olhar desviar.

- O que de tão interessante, passamos nós questionar?

Corrida frenética em busca de sonhos? Contudo, o que depreendemos é que essa corrida desenfreada pode compactuar com a legião. 

A ciência que viera para nos aproximar cada vez mais do Altíssimo, e a muitos aproxima, dado a facilidade de comunicação em tempo real, quantas vezes distancia o Criador da criação.

É tempo de se levantar gadarenos!

As maravilhas do Senhor devem ser anunciadas nas Decápolis. 

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Mc 5:1-20

Sob o olhar de Inajá Martins de Almeida

Texto inspirado na pregação do Rev. Hernandes Dias Lopez

https://www.youtube.com/watch?v=Q9jDQ_KxTSs
  



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