sábado, 27 de fevereiro de 2010

JOANA

A Bíblia faz menção a mulheres ricas. Ricas de posses materiais, aparentemente bem casadas, com situação pública privilegiada, mas que por trás do cenário fastigioso, escondiam grandes e tristes dramas: a solidão, o descaso, a submissão e tantos outros fatores, para a época, considerados normais, com relação a mulheres. Não diferente de nossos dias.


Enquanto Jesus e os doze discípulos caminhavam de cidade em cidade, aldeia em aldeia, anunciando o evangelho do reino, muitas mulheres o seguiam. Algumas por terem sido curadas de suas enfermidades físicas e espirituais, outras por haverem crido em suas Palavras, outras ainda com suas posses; assim, diz a Bíblia, as mulheres ricas “o serviam com seus bens”. (Lu 8:1-3)


Pela lei a que a sociedade da época estava exposta, às mulheres apenas era reservado a submissão. Com certeza não diferente a Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes.


Por que a Bíblia frisa bem o nome da mulher e seu marido? Os propósitos de Deus são inquestionáveis, o que podemos depreender através das entrelinhas é que Joana ocupava lugar de destaque na sociedade, mas por trás daquela figura pública, bem trajada, bem cuidada, com certeza havia prantos de dor escondidos nas profundezas do seu frágil ser – Jesus o sabia e a encontrou e, principalmente foi encontrado, enquanto passava.


Seriam males espirituais, físicos? Não o sabemos, apenas que enquanto Jesus passava mulheres foram curadas – Joana lá estava.


Mulheres que se tornavam fortes, quando Jesus as animava a terem bom ânimo; a semearem a boa semente em campo fértil para que esta pudesse florescer e dar frutos; a amarem incondicionalmente e, principalmente que a Ele viessem quando cansadas estivessem, posto que seu fardo era leve e seu jugo suave.


Ora! Essas mulheres conheciam bem seus fardos. Embora abastadas por recursos financeiros, levavam vidas miseráveis dentro de seus corações feridos - Maria (chamada Madalena), Joana e Suzana (Lu 8:2).


Com certeza Joana a partir daquele momento se transformara. Com certeza, Cuza pode perceber sua mudança interior, seu semblante resplandecente. Ela encontrara aquele que lhe trouxera respostas às suas indagações. Alegria ao seu viver diário. Esperança a um porvir melhor, digno e, com certeza, o ritmo de sua casa também se transformara.


Agora podia olhar para seu marido e ver que atrás daquela suposta austeridade, daquele homem poderoso e dominador, havia um ser frágil que também almejava ser alcançado pelo amor.


Joana, mulher sábia, com certeza soube entender que ao marido deveria prestar as honras e fidelidade de esposa, mas sabia agora quem ocupava o lugar central do seu coração. Uma nova esperança lhe era apresentada.
E os proventos? Os bens com que servia a obra de onde vinham? Com certeza do marido - que ao imperador servia - e do qual pouco se fala; pouco se tem notícia. Mas, é na pouca informação que se pode perceber na Palavra de Deus que algo muito grande e magnífico há por trás das linhas.


Suposições... Um olhar além do ponto. Cada uma de nós pode perceber o alcance de nossas vistas, quando é Deus que nos dá entendimento, quando a Ele nos voltamos.


Joana, de alguma forma, tinha conhecimento de Jesus e quis se certificar dele, não apenas ouvindo falar, mas indo ao seu encontro, expondo-se publicamente, colocando à sua disposição seus préstimos, principalmente o que as mulheres da época tinham em escassez – bens materiais.


Não se intimidou perante seu marido que, com certeza, percebeu a mudança ocorrida, dando-lhe suporte necessário, ainda que de forma dissimulada. Quem sabe!


Se de forma clara não nos é dada a continuidade desse maravilhoso episódio, bem o sabemos que Jesus passava; que estava sempre em movimento, buscando alcançar vidas e mostrar o Caminho – as boas novas do Reino.


Que cochos passavam a andar, cegos enxergar, males do físico e da alma eram curados.Que grande multidão o seguia, mas que também muitos eram alcançados pelo seu toque suave.


Quantas Joanas puderam encontrar Jesus!

Quantas Joanas puderam ser encontradas por Jesus?

E hoje? Quantas...



Texto de Inajá Martins de Almeida
Através da Leitura Bíblica de Lucas 8:1-3

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